Astro hollywoodiano está no elenco da ficção científica Prometheus, que estreia em junho
Do R7
O ator britânico Idris Elba talvez seja mais conhecido do público por seu impressionante trabalho em The Wire, drama da HBO. Mais recentemente, Elba apareceu em adaptações das histórias em quadrinhos da Marvel, incluindo o sucesso Thor, de Kenneth Branagh, e Motoqueiro Fantasma: Espírito de Vingança, ao lado de Nicolas Cage.
Antes de ser escalado em Prometheus, que estreia no dia 15 de junho, Elba trabalhou com Ridley Scott em O Gângster, filme indicado ao Oscar. Em entrevista cedida pela FOX com exclusividade ao R7, o astro compartilha o que pensa sobre o papel no set de filmagem nos Estúdios Pinewood, onde ele interpretou o capitão Janek para o filme. Leia abaixo.
R7 - Apesar de você já ter trabalhado com Ridley, foi emocionante receber o telefonema em que ele lhe disse que queria fazer outro Alien?
Idris Elba - Definitivamente sim. Amo trabalhar com Ridley e seu retorno a um gênero de que todo mundo gosta é estimulante. É uma emoção muito grande fazer parte deste projeto.
R7 - Como Ridley descreveu o filme quando falou com você?
Elba - Ele me disse que gostaria de me envolver no trabalho e me enviou o roteiro. Conversamos por telefone sobre suas ideias para o personagem. Foi tudo muito simples. Ele estava bastante animado, pode ter certeza.
R7 - O filme é um episódio anterior a Alien?
Elba - A palavra Alien nunca veio à tona e nada tem a ver com o novo filme. A única vez que Ridley a citou foi numa espécie de comparação, dizendo que o DNA de Alien está impresso em Prometheus. Isso ficou evidente no roteiro, mas nós realmente não falamos em Alien. Alguns têm feito isso, mas o filme de agora é diferente. Esse era o ponto de vista de Ridley, de que estávamos fazendo algo diferente.
R7 - Ridley fez dois dos mais importantes filmes de ficção científica de todos os tempos. Existe algum senso extra de responsabilidade, de sua parte, em não apenas trabalhar com Ridley, mas em ajudá-lo a fazer o terceiro filme?
Elba - Há sempre a responsabilidade de certificar-se de que você vai trabalhar bem e de que conseguiu dar vida ao personagem. Não penso que podemos assumir responsabilidades em relação à hierarquia de filme. Talvez ele assuma, mas duvido até mesmo disso. Analisando dessa perspectiva, penso que isso tem mais a ver com as pessoas que gostam dos filmes do que com as pessoas que os realizam.
Nossa responsabilidade é fazer um bom filme e ser tão profissionais e corajosos quanto possível. E Ridley é um dos diretores mais corajosos do cinema. Sua história mostra isso. Mas ele nunca deixa esse fato ditar o que fazer a seguir, e isso não interfere em nossa atuação. Mas sinto que os fãs estão esperando muito do filme, e quero agradá-los, não pretendo decepcioná-los. Nunca passa pela minha cabeça decepcioná-los, não importa o que eu faça.
R7 - Janek parece ser um pouco mais quieto do que alguns membros da tripulação. O que você achou dele?
Elba - Ele é engenheiro e trabalha a bordo dessas naves enormes, que fazem viagens espaciais de longa distância. É o capitão da Prometheus e isso não significa muito para ele. Janek é como um estivador. Penso que não existe nenhum mistério nele, e por que haveria de existir? Seu trabalho é bastante simples. Ele tem um caráter e uma personalidade que se revelam ao longo do filme. Mas seu objetivo é fazer com que a aeronave voe, que vá do ponto A ao ponto B. Ele não está envolvido na política que se desenvolve na história.
R7 - Então tudo que ele quer é receber o contracheque?
Elba - Há um interesse, porque o que acontece na nave afeta toda a tripulação, mas sim, a essência de seu trabalho é levar todos ao destino. Trata-se de uma missão e ele é, basicamente, os olhos daquela aeronave. Acontecem coisas que afetam a todos de um modo ou de outro, e, como Janek precisa lidar com a nave, tem certas responsabilidades a cumprir. Foi fantástico interpretar o personagem, e isso não precisa ser algo complexo. Foi muito agradável. Não é um papel grande nem pequeno; é apenas um ótimo papel. É um personagem que, a meu ver, é muito importante no filme.
R7 - Você se sentiu envolvido pelos temas do filme?
Elba - Todos nós, de alguma maneira, questionamos o que seremos ou o que fazer se nossa existência como seres humanos fosse desafiada. Como lidaríamos com isso? Essa é, definitivamente, parte do DNA de todos os filmes de Ridley. Ele olha para a existência humana e para como podemos lidar com situações extremas e por vezes bizarras. Penso que com esse filme não foi diferente. Para mim, a história é uma espécie de teste pelo qual o capitão Janek precisa passar, onde seus princípios se assentam e que ele deve fazer.
Eu nunca tinha pilotado uma nave espacial, jamais entrei numa, mas durante essa experiência comecei a indagar o que eu faria se viajasse ao redor do mundo lá fora, voando numa máquina, e algo tão extremo como o que ocorre com essas pessoas estivesse para acontecer. É realmente fascinante e envolvente para mim, como ator. Acredito que os roteiristas realmente gostaram de explorar essas possibilidades e eu adorei vivê-las no filme.

Charlize Theron e Idris Elba contracenam em
Prometheus (Foto: Divulgação)
R7 - A história acrescenta uma camada extra em seu interesse pessoal nesse tipo de assunto?
Elba - Penso que Ridley gosta de trabalhar com atores e confiar em seus instintos, independentemente do que está no roteiro. Ele se alimenta de instinto, e sua opinião sobre a maioria dos atores que gosta de ver em ação é diferente. O que acontece é que isso permite que ele, na sala de edição, continue criando. Todo mundo é diferente e todo mundo é diferente a cada dia. Hoje procuro uma vaga no estacionamento, encontro uma, mas não tenho moedas para pagar por ela. Não me importo com isso, mas em qualquer outro dia esse fato pode me irritar. São duas tomadas diferentes de uma mesma situação. Na sala de edição, o sonho de todo diretor é continuar criando sua história.
R7 - Os sets são incríveis... Não pode ter sido difícil desempenhar um capitão espacial dentro deles.
Elba - Definitivamente. Isso torna mais fácil, para nós, dar vida aos personagens. Cada detalhe é bem cuidado e muito disso funciona. Eu não poderia voar numa nave espacial para salvar a minha vida, mas, por causa dos detalhes, estou sentado em frente a este console que realmente funciona. Você aperta este botão e algo acontece, aperta este outro e mais alguma coisa acontece... E Ridley sabe tudo sobre a nave. Ele a projetou mentalmente e é isso que o torna tão especial.
Assista ao trailer legendado do filme Prometheus: